Sou católico apostólico romano.
Fiz catequese, primeira comunhão, crisma. Já me confessei sozinho e em grupo. Já fui até
coroinha! Só não contrai
matrimônio porque "contrair" me lembra doença e masoquista eu não sou!
Agora, uma coisa me incomoda de verdade. E justo na Páscoa, data mais importante da Igreja Católica! Toda sexta-feira santa, enquanto a Globo passa algum filme sobre a paixão de Cristo para diminuir a culpa de quem resolveu ficar em casa ao invés de ir a igreja,
exatamente às 15 horas na paróquia mais próxima da sua casa acontece a representação via
crucis.
Neste pequeno teatro, o padre fica com o papel de Pilatos, o juiz gente boa que resolveu dar uma chance pra Jesus só pra poder se imortalizar com uma frase que estampa a pia de todo banheiro de
lanchonete.
Já o comentarista fica responsável por fazer o papel, pasme, do narrador. Ele é uma espécie de companheiro do saudoso Aparício que o Renato Aragão fazia na época dos Trapalhões. Ou seja, é uma voz-terceira-pessoa que conta tudo que aconteceu naquela fatídica tarde.
E, por último e, certamente, menos importante o povo, na brilhante
atuação de... povo!
Até aí, beleza. Sem crise em ser figurante da paixão de Cristo. O que me pega é que há dois mil anos repetimos a mesma coisa. Não fica nem um espacinho para tentar diferente! Aí depois o pessoal reclama que o ano ta sendo uma droga, como o tempo ta passando rápido, ta tudo pela "hora da morte". Claro!
Há 2.000 anos mandamos soltar o cara errado!
Todo ano é a mesma coisa:
-Quem vocês querem que eu solte?
- Solte Barrabás! -
Diz a massa enlouquecida.
Puta merda! É nessa hora que me revolto. Na boa? Me recuso a responder isso.
Putz... tudo bem que os ancestrais tenham
caído na cilada e tenham mandado mal na escolha. Liberaram o bandido e deixaram o
hippão lá. 50% de chance de fazer besteira... e fizeram!
Mas
pô, no ano seguinte já dava pra ter corrigido a cagada. Ficam parecendo os macaquinhos da história que respondem "não sei, mas aqui sempre foi assim" quando questionados sobre o motivo pelo qual batiam nos novos companheiros que tentam pegar as bananas.
Por isso que nem ligo mais quando tantos políticos roubam,
tramóiam e achincalham com qualquer possibilidade de democracia. Há anos erramos na escolha mais óbvia! E enquanto alguns lavam suas mãos com propina e
Perrier, não há porque pararmos de escolher o bandido.