As bodas de filmes americanos são as melhores. E por dois simples motivos: o primeiro é que, por ser americano, as celebrações contam com os votos dos noivos, que são algumas palavras (teoricamente) escritas de próprio punho e que vão além do "riqueza e pobreza...". E segundo, que por serem em filmes, são representadas por pessoas que sabem falar minimamente bem.
Portanto, para o caso de eu me casar nos Estados Unidose aprender o bê-a-bá de interpretação, pensei em algumas palavras que eu poderia dizer neste dia:
"Xxxxx Yyyyyy, (acho lindo mulheres com nome composto)
Por toda a vida temos medo.
Quando nascemos o nosso maior medo é que aquela mulher de sorriso doce nos deixe sozinhos por mais de um minuto. Este é superado quando descobrimos que podemos nos defender ao revidar um beliscão na escolinha. Isto seria um grande feito se a superação de um medo não trouxesse outros ainda maiores a reboque.
Daí passamos ao medo de não sermos aceitos. Então descobrimos que sempre existirão pessoas como nós para chamarmos de amigos - e não importa o quão "estranho" você possa parecer.
Depois temos medo de que estes amigos nos abandonem e percebemos que para que isso não aconteça basta que não os abandonemos antes.
Alguns anos depois vem o medo de não ser devidamente aceito, de ser o mais feio, o mais burro... ou o de não ser o "mais" em nada. Fase facilmente superável quando percebemos que ser melhor em alguma coisa não tem valor porque nenhuma vitória é, de fato, solitária. E, se por acaso fparecer... você precisará de alguém para comemorar.
E o medo do ridículo? Algumas vezes o pavor de parecer brega nos faz agirmos de um modo que diferente do que nossa essência ordena. Este medo só é superado quando conseguimos enxergar que o brega nada mais é do que algo que não faz sentido para alguém. Ou será ainda possível duvidar da eficácia de uma chamada música de corno quando sofremos uma perda?
Mas, ao avaliar esta cena que estamos vivendo agora, afirmo sem pensar: tudo isso teve seu valor!
Seu eu não tivesse superado cada pequeno pavor que essas situações me apresentaram, talvez eu jamais teria tido coragem de ir falar com você naquela tarde em que me fiz acreditar que os anjos usavam vestidos floridos, tinham olhos capazes de iluminar mais de uma milha adiante e sorriem como... anjos, claro.
Naquela mesma tarde percebi que na verdade todos os medos que temos acontecem simplesmente porque em algum momento sabemos que precisaremos abrir mão de algo.
Deixamos o sorriso doce de nossa mãe, a tranquilidade da solidão, a presença constante dos amigos, a simples aceitação de achar que os problemas do mundo são de culpa nossa e não de nossa obrigação e, portanto não há nada que possamos fazer...
Na verdade Deus nos faz ter coragem de abandonar cada uma dessas zonas de conforto para não sermos obrigados a trocá-las todas de uma vez só quando encontramos a pessoa que queremos para sempre do nosso lado. Isso para que possamos, finalmente, nos entregar aqui um a outro, construir uma família e poder dizer, diante de Deus e de todos que fizeram, fazem e farão parte de nossas vidas, o quanto nos amamos.
Obrigado por sarar todos os meus medos.
E que estas palavras jamais soem bregas para a gente."
4 comentários:
Uóón... será que eu vou ouvir isso um dia? hauahuaha...
Meu nome não é composto, mas se quiser, pode acrescentar um Maria ou algo parecido.. ahuaha
Bjos
Cara, acho que vc vai ter que abrir uma exceção para os nomes compostos...
:)
O meu casamento vai ser o mais brega possível... pétalas de rosas.. arroz..votos dos noivos...e etc.. etc.. etc
O meu vai ser o mais irreal possível. A começar pela possibilidade de uma mulher me aceitar como noivo.
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