Hoje pela manhã, enquanto caminhava para o trabalho pensando no que faria se ganhasse sozinho um prêmio da loteria, fui parado por um senhor muito sorridente que carregava algumas ferramentas sujas de terra e me perguntava por um endereço rabiscado em um pedaço de papel. Nesta anotação constava o esclarecedor nome de "Abrigo Dona Glorinha". Dei a informação ao mesmo tempo que tentava disfarçar o mal estar de ter associado minha felicidade ao status de milionário enquanto era abordado por um homem para quem o valor do bilhete já faria enorme diferença na qualidade (ou quantidade) da sua alimentação neste dia.
Nos despedimos com sorrisos de gratidão. Ele pela informação. Eu pela lição.
14 julho, 2008
12 julho, 2008
Não eu.
"Não tive filhos, não transmiti o legado da nossa miséria".
Cem anos antes de eu nascer, Machado de Assis terminava assim o clássico Memórias Póstumas de Bras Cubas. Com isso, o autor usava a voz de um pobre defunto para chocar uma sociedade na qual era absurdamente incomum que um homem não tivesse filhos - a não ser que tivesse problemas mentais ou fosse padre.
Hoje em dia não ter herdeiros já se tornou banal. Uns resolvem não ter filhos por estética, outros por egoísmo e alguns por falta de dinheiro - e aí não importa quanto têm.
A minha "desculpa" para não querer ver uma miniatura minha correndo por aí é outra: chamo de "consciencietização". Mas também podem chamar de medo, covardia ou pré-depressão mesmo.
Lendo assim, imagino que quando Cubas diz que não trasnsmitiu "adiante o legado de NOSSA miséria", ele não se referia a uma possível característica física que passaria adiante aos seus descendentes. Não! Ele falava da miséria que assola a todos. Sua questão não era se seus filhos teriam o mesmo nariz que talvez tenha lhe rendido algum apelido colégio. Seu questionamento era se viveriam em uma sociedade onde ainda existiriam apelidos no colégio para crianças com um nariz diferente.
Em um país (ou será o mundo?) que não respeita as crianças. Onde Isabellas, Joãos Hélios e Robertos são tratados como bagagem em avião é que não quero ver uma pessoa indefesa que me faria rever minhas contas, meus planos e sonhos, que acabaria com meu "sono de pedra"- seja pelo choro, seja por outra qualquer pequena-grande preocupação...
Não quero precisar pensar que o jovem agredido porque torce para um outro time poderia ser meu filho. Não, não preciso ter uma noção exata da dor de enterrar um filho com a sua roupa de super herói antes mesmo dele ter idade para descobrir que aquilo é apenas uma fantasia . Jamais quero precisar saber como é sair da minha tribo para reconhecer o corpo carbonizado de meu rebento que precisou descansar em um banco de uma praça!
E pensar que, ainda assim, chamamos de primitivos os índios. Mas, pelo que sei, estes se agachavam para falar com as crianças para que não ficassem em uma posição de inferioridade. Isso sem falar das tribos nas quais todos os pequenos chamavam os adultos de pai. E não por não saberem ao certo quem o era de fato, mas porque isso não importava, pois todos guardavam iguais responsabilidades com aqueles que seriam o futuro da sua sociedade.
Por medo desse mundo que se desenha é que declaro que jamais serei pai!
E mantenho assim minha convicção até o dia que um ultrassom mostre os contornos daquele que me fará rever minhas contas, planos sonhos e, principalmente, convicções. E me faça, de fato, sentir que nenhuma "miséria" do mundo se compara a tristeza de um lar sem uma criança.
Cem anos antes de eu nascer, Machado de Assis terminava assim o clássico Memórias Póstumas de Bras Cubas. Com isso, o autor usava a voz de um pobre defunto para chocar uma sociedade na qual era absurdamente incomum que um homem não tivesse filhos - a não ser que tivesse problemas mentais ou fosse padre.
Hoje em dia não ter herdeiros já se tornou banal. Uns resolvem não ter filhos por estética, outros por egoísmo e alguns por falta de dinheiro - e aí não importa quanto têm.
A minha "desculpa" para não querer ver uma miniatura minha correndo por aí é outra: chamo de "consciencietização". Mas também podem chamar de medo, covardia ou pré-depressão mesmo.
Lendo assim, imagino que quando Cubas diz que não trasnsmitiu "adiante o legado de NOSSA miséria", ele não se referia a uma possível característica física que passaria adiante aos seus descendentes. Não! Ele falava da miséria que assola a todos. Sua questão não era se seus filhos teriam o mesmo nariz que talvez tenha lhe rendido algum apelido colégio. Seu questionamento era se viveriam em uma sociedade onde ainda existiriam apelidos no colégio para crianças com um nariz diferente.
Em um país (ou será o mundo?) que não respeita as crianças. Onde Isabellas, Joãos Hélios e Robertos são tratados como bagagem em avião é que não quero ver uma pessoa indefesa que me faria rever minhas contas, meus planos e sonhos, que acabaria com meu "sono de pedra"- seja pelo choro, seja por outra qualquer pequena-grande preocupação...
Não quero precisar pensar que o jovem agredido porque torce para um outro time poderia ser meu filho. Não, não preciso ter uma noção exata da dor de enterrar um filho com a sua roupa de super herói antes mesmo dele ter idade para descobrir que aquilo é apenas uma fantasia . Jamais quero precisar saber como é sair da minha tribo para reconhecer o corpo carbonizado de meu rebento que precisou descansar em um banco de uma praça!
E pensar que, ainda assim, chamamos de primitivos os índios. Mas, pelo que sei, estes se agachavam para falar com as crianças para que não ficassem em uma posição de inferioridade. Isso sem falar das tribos nas quais todos os pequenos chamavam os adultos de pai. E não por não saberem ao certo quem o era de fato, mas porque isso não importava, pois todos guardavam iguais responsabilidades com aqueles que seriam o futuro da sua sociedade.
Por medo desse mundo que se desenha é que declaro que jamais serei pai!
E mantenho assim minha convicção até o dia que um ultrassom mostre os contornos daquele que me fará rever minhas contas, planos sonhos e, principalmente, convicções. E me faça, de fato, sentir que nenhuma "miséria" do mundo se compara a tristeza de um lar sem uma criança.
18 maio, 2008
Promoção e pra mocinha!
Fato relevante 1: este blog está abandonado!
Fato relevante 2: de graça até ônibus errado!
Fato relevante 3: o prêmio foi aberto mas tá limpinho!
Considerando as três afirmações acima é que resolvi me candidatar ao suntuoso prêmio da promoção "prove que sua mãe é de outra geração"ou... “Responda à pergunta SemCriatividade no seu blog também e concorra a dois pen drives!”
Ok... o texto introdutório não faz muito sentido, mas se formos considerar o nível dos outros candidatos, jamais eu vencerei se não puser uma boa dose de non sense na história... certo, Ná (http://sodacausticaeguarana.blogspot.com/)?
Então, sem mais delongas, lá vai minha resposta à pergunta ainda não divulgada:
“O que sua mãe faria com um pen drive?”
Certamente o lavaria junto com qualquer outro papel que eu tivesse inadvertidamente esquecido no bolso da calça.
Até!
Fato relevante 2: de graça até ônibus errado!
Fato relevante 3: o prêmio foi aberto mas tá limpinho!
Considerando as três afirmações acima é que resolvi me candidatar ao suntuoso prêmio da promoção "prove que sua mãe é de outra geração"ou... “Responda à pergunta SemCriatividade no seu blog também e concorra a dois pen drives!”
Ok... o texto introdutório não faz muito sentido, mas se formos considerar o nível dos outros candidatos, jamais eu vencerei se não puser uma boa dose de non sense na história... certo, Ná (http://sodacausticaeguarana.blogspot.com/)?
Então, sem mais delongas, lá vai minha resposta à pergunta ainda não divulgada:
“O que sua mãe faria com um pen drive?”
Certamente o lavaria junto com qualquer outro papel que eu tivesse inadvertidamente esquecido no bolso da calça.
Até!
10 maio, 2008
Mãe
Minha mãe me ensinou a lidar com a dureza da vida da melhor maneira: com exemplos.
A medida que envelheço é que entendo a quantidade de coisas que ela abriu mão minha causa e de meus irmãos. Se hoje tolero os sacrifícios com algum pequeno traço de humor é porque tenho a certeza de já fizeram isso por mim com um largo sorriso no rosto.
Espero te dar todo orgulho mundo, sempre!
Te amo!
A medida que envelheço é que entendo a quantidade de coisas que ela abriu mão minha causa e de meus irmãos. Se hoje tolero os sacrifícios com algum pequeno traço de humor é porque tenho a certeza de já fizeram isso por mim com um largo sorriso no rosto.
Espero te dar todo orgulho mundo, sempre!
Te amo!
melancolia
Tu jamais terás completa noção da sorte que tens em ser você. Assim não precisa se afastar de uma pessoa tão admirável.
sinto saudades.
sinto saudades.
06 maio, 2008
Ponto de vista.
Prática comum entre muitos povos desde a antiguidade até os dias de hoje, como uma forma de agradecer aos deuses, o sacrifício é o ápice de cerimônias religiosas, é uma festa ritmada por música, canto, dança, bebidas e comida, que se estendem por dias.
Exceto para o sacrificado.
22 abril, 2008
Cavaleiros do apóca!
Tempestade, terremoto e o pastel do 02...
quais mais desgraças devo esperar pra hoje?
quais mais desgraças devo esperar pra hoje?
04 abril, 2008
Tontinha
Ontem vi as suas lágrimas. Como eu gostaria que elas não tivessem rolado! Desejei com toda força que a água desprendida nelas tivesse sido usada para apurar beijos ardentes ou para fazer brotar de forma diferente tudo que sentimos, como se sentimentos fossem como plantas que precisam de água e não de outras coisas.
Elas escorregaram pelo seu rosto apoiado em meu peito e, por pura poesia do destino, vieram a lavar meu coração. Foram lágrimas que não provei, mas aposto que salgadas não eram. Primeiro vieram com toda acidez necessária a retirar todas as manchas que mágoas formaram. Depois foram de uma doçura que não se encontra no mel mais raro, e foram úteis para fechar as feridas que as primeiras lágrimas talvez tenham aberto ao remover o que não prestava de dentro do meu peito.
Desculpe-me se parece breve. Meus olhos saberão expressar o que sinto melhor que minhas palavras. Perdoe-me se não falo de adeus. Não vejo sentido em falar de despedida quando uma pessoa tem lugar cativo em nosso coração – agora limpo de verdade! , uma imagem tão forte em nossa cabeça e desperta um desejo maior que tudo de estar sempre junto.
Toda sorte do mundo!
Te adoro!
Elas escorregaram pelo seu rosto apoiado em meu peito e, por pura poesia do destino, vieram a lavar meu coração. Foram lágrimas que não provei, mas aposto que salgadas não eram. Primeiro vieram com toda acidez necessária a retirar todas as manchas que mágoas formaram. Depois foram de uma doçura que não se encontra no mel mais raro, e foram úteis para fechar as feridas que as primeiras lágrimas talvez tenham aberto ao remover o que não prestava de dentro do meu peito.
Desculpe-me se parece breve. Meus olhos saberão expressar o que sinto melhor que minhas palavras. Perdoe-me se não falo de adeus. Não vejo sentido em falar de despedida quando uma pessoa tem lugar cativo em nosso coração – agora limpo de verdade! , uma imagem tão forte em nossa cabeça e desperta um desejo maior que tudo de estar sempre junto.
Toda sorte do mundo!
Te adoro!
01 abril, 2008
Valha-me, meu Santo Antônio!
Adorava desafios. Por isso sentou-se ao lado da moça mais bonita da festa. Ficou calado. Mais do que de desafios, gostava de milagres.
28 março, 2008
Lato sensu.
Na aula de Metodologia científica do curso de pós-graduação em Arquitetura de TI a lição aprendida foi que não se deve usar cotonetes na limpeza dos ouvidos.
Olimpíadas da Terceira Idade II (Resistência)
"Estou nessa fila do banco desde às sete e só me atenderam às 10."
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